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DESCRIÇÃO – NARRAÇÃO – DISSERTAÇÃO

Tudo o que se escreve recebe o nome genérico de redação (ou composição). Existem três tipos de redação: descrição, narração e dissertação. É importante que perceba a diferença entre elas. Leia, primeiramente, as seguintes definições:


  • DESCRIÇÃO
É o tipo de redação na qual se apontam as características que compõem um determinado objeto, pessoa, ambiente ou paisagem.

            Exemplo:
            A sua estatura era alta e seu corpo, esbelto. A pele morena refletia o sol dos trópicos. Os olhos negros e amendoados espalhavam a luz interior de sua alegria de viver e jovialidade. Os traços bem desenhados compunham uma fisionomia calma, que mais parecia uma pintura.


  • NARRAÇÃO
É a modalidade de redação na qual contamos um ou mais fatos que ocorreram em determinado tempo e lugar, envolvendo certas personagens.

            Exemplo:
            Numa noite chuvosa do mês de Agosto, Paulo e o irmão caminhavam pela rua mal-iluminada que conduzia à sua residência. Subitamente foram abordados por um homem estranho. Pararam, atemorizados, e tentaram saber o que o homem queria, receosos de que se tratasse de um assalto. Era, entretanto, somente um bêbado que tentava encontrar, com dificuldade, o caminho de sua casa.

            TIPOS DE NARRADOR


            Narrar é contar um ou mais fatos que ocorreram com determinadas personagens, em local e tempo definidos. Por outras palavras, é contar uma história, que pode ser real ou imaginária.
            Quando vai redigir uma história, a primeira decisão que deve tomar é se você vai ou não fazer parte da narrativa. Tanto é possível contar uma história que ocorreu com outras pessoas como narrar fatos acontecidos consigo. Essa decisão determinará o tipo de narrador a ser utilizado na sua composição. Este pode ser, basicamente, de dois tipos:

            1. Narrador de 1ª pessoa: é aquele que participa da ação, ou seja, que se inclui na narrativa. Trata-se do narrador-personagem.

            Exemplo:
            Andava pela rua quando de repente tropecei num pacote embrulhado em jornais. Agarrei-o vagarosamente, abri-o e vi, surpreso, que lá havia uma grande quantia em dinheiro.

            OBSERVAÇÃO:

            Em textos que apresentam o narrador de 1.ª pessoa, ele não precisa ser necessariamente a personagem principal; pode ser somente alguém que, estando no local dos acontecimentos, os presenciou.

            Exemplo:

            Estava parado na paragem do autocarro, quando vi, a meu lado, um rapaz que caminhava lentamente pela rua. Ele tropeçou num pacote embrulhado em jornais. Observei que ele o agarrou com todo o cuidado, abriu-o e viu, surpreso, que lá havia uma grande quantia em dinheiro.

           2. Narrador de 3ª pessoa: é aquele que não participa da ação, ou seja, não se inclui na narrativa. Temos então o narrador-observador. 2. Narrador de 3ª pessoa: é aquele que não participa da ação, ou seja, não se inclui na narrativa. Temos então o narrador-observador.

            Exemplo:
            João andava pela rua quando de repente tropeçou num pacote embrulhado em jornais. Agarrou-o vagarosamente, abriu-o e viu, surpreso, que lá havia uma grande quantia em dinheiro.

            ELEMENTOS DA NARRAÇÃO
Depois de escolher o tipo de narrador que vai utilizar, é necessário ainda conhecer os elementos básicos de qualquer narração.

Todo o texto narrativo conta um FATO que se passa em determinado TEMPO e LUGAR. A narração só existe na medida em que há ação; esta ação é praticada pelos PERSONAGENS.

Um fato, em geral, acontece por uma determinada CAUSA e desenrola-se envolvendo certas circunstâncias que o caracterizam. É necessário, portanto, mencionar o MODO como tudo aconteceu detalhadamente, isto é, de que maneira o fato ocorreu. Um acontecimento pode provocar CONSEQUÊNCIAS, as quais devem ser observadas.

            Assim, os elementos básicos do texto narrativo são:

1. FATO (o que se vai narrar);
2. TEMPO (quando o fato ocorreu);
3. LUGAR (onde o fato se deu);
4. PERSONAGENS (quem participou do ocorrido ou o observou);
5. CAUSA (motivo que determinou a ocorrência);
6. MODO (como se deu o fato);
7. CONSEQUÊNCIAS (efeitos do fato acontecido).

Uma vez conhecidos esses elementos, resta saber como organizá-los para elaborar uma narração. Dependendo do fato a ser narrado, há inúmeras formas de dispô-los. Todavia, apresentaremos um esquema de narração que pode ser utilizado para contar qualquer fato. Ele propõe-se situar os elementos da narração em diferentes parágrafos, de modo a orientá-lo sobre como organizar adequadamente a sua composição.


            ESQUEMA DE NARRAÇÃO
1º Parágrafo: Explicar que fato será narrado. Determinar o tempo e o lugar INTRODUÇÃO
2º Parágrafo: Causa do fato e apresentação das personagens. DESENVOLVIMENTO
3º Parágrafo: Modo como tudo aconteceu (detalhadamente).
4º Parágrafo: Conseqüências do fato. CONCLUSÃO

            OBSERVAÇÕES:
            1. É bom lembrar que, embora o elemento Personagens tenha sido citado somente no 2º parágrafo (onde são apresentados com mais detalhes), eles aparecem no decorrer de toda a narração, uma vez que são os desencadeadores da seqüência narrativa.

            2. O elemento Causa pode ou não existir na sua narração. Há fatos que decorrem de causa específica (por exemplo, um atropelamento pode ter como causa o descuido de um peão ao atravessar a rua sem olhar). Existe, em contrapartida, um número ilimitado de fatos dos quais não precisamos explicar as causas, por serem evidentes (por exemplo, uma viagem de férias, um assalto a um banco, etc.).

            3. Os três elementos mencionados na Introdução, ou seja, fato, tempo e lugar, não precisam necessariamente aparecer nesta ordem. Podemos especificar, no início, o tempo e o local, para depois enunciar o fato que será narrado.

Utilizando esse recurso, pode narrar qualquer fato, desde os incidentes que são noticiados nos jornais com o título de ocorrências policiais (assaltos, atropelamentos, raptos, incêndios, colisões e outros) até fatos corriqueiros, como viagens de férias, festas de adeptos de futebol, comemorações de aniversário, quedas e acontecimentos inesperados ou fora do comum, bem como quaisquer outros.

É importante ressaltar que o esquema apresentado é apenas uma sugestão de como se pode organizar uma narração. Temos inteira liberdade para nos basearmos nele ou não. Mostra-se apenas uma das várias possibilidades existentes de se estruturarem textos narrativos. Caso se deseje, poderá inverter-se a ordem de todos os elementos e fazer qualquer outra modificação que se ache conveniente, sem prejuízo do entendimento do que se quer transmitir. O fundamental é conseguir-se contar uma história de modo satisfatório.

            NARRAÇÃO OBJETIVA
Observe-se agora um exemplo de narração sobre um incêndio, criado com o auxílio do esquema estudado. Lembre-se de que, antes de começar a escrever, é preciso escolher o tipo de narrador. Optamos pelo narrador de 3ª pessoa.

            O incêndio

            Ocorreu um pequeno incêndio na noite de ontem, num apartamento de propriedade do Sr. António Pedro.
            No local habitavam o proprietário, a sua esposa e os seus dois filhos. Todos eles, na hora em que o fogo começou, tinham saído de casa e estavam a jantar num restaurante situado em frente ao edifício. A causa do incêndio foi um curto circuito ocorrido no sistema elétrico do velho apartamento.
            O fogo começou num dos quartos que, por sorte, ficava na frente do prédio. O porteiro do restaurante, conhecido da família, avistou-o e imediatamente foi chamar o Sr. António. Ele, rapidamente, ligou para os Bombeiros.
            Embora não tivessem demorado a chegar, os bombeiros não conseguiram impedir que o quarto e a sala ao lado fossem inteiramente destruídos pelas chamas. Não obstante o prejuízo, a família consolou-se com o fato de aquele incidente não ter tomado maiores proporções, atingindo os apartamentos vizinhos.
            Vamos observar as características desta narração. O narrador está na 3ª pessoa, pois não toma parte na história; não é nem membro da família, nem o porteiro do restaurante, nem um dos bombeiros e muito menos alguém que passava pela rua na qual se situava o prédio. Outra característica que deve ser destacada é o fato de a história ter sido narrada com objetividade: o narrador limitou-se a contar os fatos sem deixar que os seus sentimentos, as suas emoções transparecessem no decorrer da narrativa.
            Este tipo de composição denomina-se narração objetiva. É o que costuma aparecer nas "ocorrências policiais" dos jornais, nas quais os redatores apenas dão conta dos fatos, sem se deixar envolver emocionalmente com o que estão a noticiar. Este tipo de narração apresenta um cunho impessoal e direto.

            NARRAÇÃO SUBJETIVA

Existe também um outro tipo de composição chamada narração subjetiva. Nela os fatos são apresentados levando-se em conta as emoções, os sentimentos envolvidos na história. Nota-se claramente a posição sensível e emocional do narrador ao relatar os acontecimentos. O fato não é narrado de modo frio e impessoal, pelo contrário, são ressaltados os efeitos psicológicos que os acontecimentos desencadeiam nas personagens. É, portanto, o oposto da narração objetiva.

Daremos agora um exemplo de narração subjetiva, elaborada também com o auxílio do esquema de narração. Escolhemos o narrador de 1.ª pessoa. Esta escolha é perfeitamente justificável, visto que, participando da ação, ele envolve-se emocionalmente com maior facilidade na história. Isso não significa, porém, que uma narração subjetiva requeira sempre um narrador em 1.

            Com a fúria de um vendaval

            Numa certa manhã acordei entediada. Estava nas minhas férias escolares do mês de Agosto. Não pudera viajar. Fui ao portão e avistei, três quarteirões ao longe, a movimentação de uma feira livre.
            Não tinha nada para fazer, e isso estava a matar-me de aborrecimento. Embora soubesse que uma feira livre não constitui exatamente o melhor divertimento do qual um ser humano pode dispor, fui andando, a passos lentos, em direção daquelas barracas. Não esperava ver nada de original, ou mesmo interessante. Como é triste o tédio! Logo que me aproximei, vi uma senhora alta, extremamente gorda, discutindo com um feirante.
            O homem, dono da barraca de tomates, tentava em vão acalmar a nervosa senhora. Não sei por que brigavam, mas sei o que vi: a mulher, imensamente gorda, mais do que gorda (monstruosa), erguia os seus enormes braços e, com os punhos cerrados, gritava contra o feirante. Comecei a assustar-me, com medo de que ela destruísse a barraca (e talvez o próprio homem) devido à sua fúria incontrolável. Ela ia gritando empolgando-se com a sua raiva crescente e ficando cada vez mais vermelha, como os tomates, ou até mais.
            De repente, no auge de sua ira, avançou contra o homem já atemorizado e, tropeçando em alguns tomates podres que estavam no chão, caiu, tombou, mergulhou, esborrachou-se no asfalto, para o divertimento do pequeno público que, assim como eu, assistiu àquela cena incomum.

            OBSERVAÇÃO:
            A narração pode ter a extensão que convier. Pode aumentá-la ou diminuí-la, suprimindo detalhes menos importantes. Lembre-se: quando um determinado parágrafo ficar muito extenso, pode dividi-lo em dois. Destacamos, mais uma vez, que o esquema dado é uma orientação geral e não precisa ser necessariamente seguido; ele pode sofrer variações referentes ao número de parágrafos ou à ordem de disposição dos elementos narrativos.

            DISCURSO DO NARRADOR


Comparando os dois modelos de narração apresentados, poderá perceber a diferença entre narrador em 1ª e 3ª pessoas, a maneira como se elabora uma narração utilizando o esquema estudado, a existência da narração objetiva em oposição à narração subjetiva e alguns outros aspectos.

É importante também que observe um outro fato sobre o qual ainda não fizemos qualquer comentário. Lendo as narrações O incêndio e Com a fúria de um vendaval, notará com facilidade que o narrador contou cada uma das histórias com as suas próprias palavras. Ele não introduziu diálogos na redação registrando a fala dos 23 personagens. Essas duas narrações foram elaboradas sem que o narrador introduzisse o discurso direto, isto é, o diálogo entre as personagens.

Não se esqueça também de que o esquema de narração não precisa ser seguido à risca. Se julgar importante fazer qualquer alteração, nada o impede de fazê-la, desde que a sua composição não perca as características de organização e clareza indispensáveis a todas as narrações.

            DISCURSO DIRETO E DISCURSO INDIRETO

Agora veremos como introduzir o discurso direto (registro da fala dos personagens) no meio de uma narração, bem como transformá-lo em discurso indireto.

O primeiro passo é conseguir diferenciar o discurso indireto do discurso direto.

Veja estes exemplos:
            DISCURSO INDIRETO
            O rapaz, depois de estacionar o seu automóvel num pequeno posto de gasolina daquela estrada, perguntou a um funcionário onde ficava a cidade mais próxima. Ele respondeu que havia um vilarejo a dez quilômetros dali.

             DISCURSO DIRETO
             O rapaz, depois de estacionar o seu automóvel num pequeno posto de gasolina daquela estrada, perguntou:
             — Onde fica a cidade mais próxima ?
             — Há um vilarejo a dez quilômetros daqui - respondeu o funcionário.

Observe o exemplo de discurso direto. Antes do registro da fala do personagem existe um travessão (—) que inicia um novo parágrafo. No último período desse texto notou que há também um outro travessão, colocado antes da palavra respondeu; ele serve para separar a fala do personagem da explicação do narrador ("respondeu o funcionário").

Quando o narrador quer informar qual a personagem que fala, o texto pode ser organizado de duas maneiras:

o Primeiro explica-se quem vai falar. A frase termina por dois-pontos (:). Abre-se então um novo parágrafo para nele colocar o travessão, seguido da fala da personagem.

            Exemplo:
            O funcionário respondeu:
            — Há um vilarejo a dez quilômetros daqui.

Em primeiro lugar, registra-se, depois de posto o travessão, a fala da personagem. Na mesma linha coloca-se um outro travessão e, em seguida, a frase pela qual o narrador explica quem está dizendo aquilo (iniciada por letra minúscula).

           Exemplo:
           — Há um vilarejo a dez quilômetros daqui - respondeu o funcionário.

          OBSERVAÇÃO:
          Já verbos que se caracterizam por introduzir a fala do personagem, ou mesmo explicar quem está a fazer a afirmação registrada depois do travessão. Denominam-se verbos de elocução e alguns exemplos deles são: falar, perguntar, responder, indagar, replicar, argumentar, pedir, implorar, comentar, afirmar e muitos outros.

           Exemplo de como podemos introduzir o discurso direto numa narrativa indireta.
          
           Leia o texto abaixo, onde não aparece a fala dos personagens. É o narrador que conta os acontecimentos.

            O primeiro dia no curso


            Maria Helena acabava de matricular-se num famoso curso, desses que preparam os alunos para os exames.
            Logo no primeiro dia de aulas, depois de subir os seis lances de escadas que a conduziam à sua turma de duzentos e quarenta alunos, entraram na sala espantada com a quantidade de colegas. Assistiu às três primeiras aulas (ou conferências) que os professores deram com o auxílio de microfones.
            Quando deu o sinal do intervalo, tentou encontrar o bar que ficava no piso térreo. Maria Helena então começou a descer os seis lances de escadas, acompanhada por uma quantidade incontável de pessoas, ou seja, os colegas das outras quinze salas de aula existentes em cada andar.
             Após algum tempo, chegou ao piso térreo. Olhou para todos os lados e não viu bar nenhum.
             Pouco tempo depois, descobriu que o bar era ali mesmo, mas não dava para ver a caixa registradora, situada a alguns metros dela, de tanta gente que havia. Ela já estava na fila da caixa e não sabia.

             Leia agora a mesma redação, depois de introduzidos alguns trechos de discurso direto.

             O primeiro dia no curso

             Maria Helena acabava de matricular-se num famoso curso, desses que preparam os alunos para os exames.
             Logo no primeiro dia de aulas, depois de subir os seis lances de escadas que a conduziam à sua turma de duzentos e quarenta alunos, entraram na sala, espantada com a quantidade de colegas. Assistiu às três primeiras aulas (ou conferências) que os professores deram com o auxílio de microfones.
             Quando deu o sinal do intervalo, Maria Helena perguntou a um colega de classe:
             — Você, por acaso, sabe onde fica a lanchonete?
             — Fica no piso térreo — respondeu-lhe o colega gentilmente.
             Ela então começou a descer os seis lances de escadas, acompanhada por uma quantidade incontável de pessoas, ou seja, os colegas das outras quinze salas de aula existentes em cada andar.
             Após algum tempo chegou ao piso térreo.
             — Por favor, você sabe onde fica o bar? Disseram que ficava no piso térreo — perguntou Maria Helena a uma moça que estava a seu lado.
             — Mas você já está no bar!
             Descobriu então que estava no lugar procurado, mas não dava para ver a caixa registradora, situada a alguns metros dela, de tanta gente que havia. Ela já estava na fila da caixa e não sabia.

  • DISSERTAÇÃO
É o tipo de composição na qual expomos idéias gerais, seguidas da apresentação de argumentos que as comprovem.

            Exemplo:
            Tem havido muitos debates sobre a eficiência do sistema educacional. Argumentam alguns que ele deve ter por objetivo despertar no estudante a capacidade de absorver informações dos mais diferentes tipos e relacioná-las com a realidade circundante. Um sistema de ensino voltado para a compreensão dos problemas sócio-econômicos e que despertasse no aluno a curiosidade científica seria por demais desejável.

**

            Não há como confundir estes três tipos de redação. Enquanto a descrição aponta os elementos que caracterizam os seres, objetos, ambientes e paisagens, a narração implica uma idéia de ação, movimento empreendido pelos personagens da história. Já a dissertação assume um caráter totalmente diferenciado, na medida em que não fala de pessoas ou fatos específicos, mas analisa certos assuntos que são abordados de modo impessoal.

            ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DO TEXTO DISSERTATIVO


            Quando se pede a alguém que disserte por escrito sobre um determinado tema, espera-se um texto em que sejam expostos e analisados, de forma coerente, alguns dos aspectos e argumentos envolvidos na questão tematizada. Não há escrita sem leitura, sem reflexão, sem a adoção de um ponto de vista e, pode-se mesmo dizer, sem um desejo, por parte de quem escreve, de se manifestar a respeito de um determinado tema. Assim, é especialmente importante que, em uma dissertação, sejam apresentados e discutidos fatos, dados e pontos de vista acerca da questão proposta. Ora, para que você consiga desincumbir-se dessa tarefa de forma adequada (especialmente em uma situação como a de um exame vestibular em que há uma certa tensão, o tempo é controlado...), a Unicamp coloca à sua disposição, sob a forma de uma coletânea, diversos elementos que devem ser levados em conta para a discussão do tema proposto. Garantimos, assim, que você não tenha de “partir da estaca zero”, para construir sua redação. Essa é uma função importante da coletânea de textos que acompanha o tema para dissertação. (Essa coletânea, como vimos no capítulo anterior, tem também o objetivo de avaliar a sua capacidade de leitura, interpretação e seleção de informações).

            Do que foi dito acima, você deveria concluir imediatamente que escrever um texto dissertativo não é apenas tecer comentários impessoais sobre determinado assunto, tampouco limitar-se a apresentar aspectos favoráveis e contrários e/ou positivos e negativos da questão.

            Mas vamos tentar ajudá-lo um pouco mais, uma vez que tal conclusão pode não ser tão imediata assim. Consideremos duas instruções que muito freqüentemente acompanham “definições” de dissertação: (1) que nela não se deve “falar” em 1ª pessoa; (2) que devem, em um texto dissertativo, ser apresentados argumentos favoráveis e contrários à(s) idéia(s) sobre a(s) qual(is) se está escrevendo.

            A primeira das “instruções” é, de fato, pertinente, mas costuma-se exagerar o seu valor – esse cuidado não é suficiente para garantir que se está, realmente, dissertando. Sempre será verdade que enfraquecem a força do texto dissertativo expressões como eu acho que e na minha opinião, mas o problema está muito mais no caráter opinativo e no “achismo” nelas contido do que no uso da 1ª pessoa do singular. Contudo, saiba que a postura mais adequada para se dissertar é mesmo escrever impessoalmente, como se autor daquele texto fosse o próprio bom senso, a própria lógica, a razão, ou ainda, a verdade. Da mesma forma, uma dissertação não se dirige a um interlocutor específico ou a um grupo deles; dirige-se, isto sim, a um “leitor universal”, algo que poderia ser definido como: todos os seres humanos alfabetizados e dotados de raciocínio.

             Quanto à Segunda “instrução”, essa sim é um completo equívoco. Em uma dissertação, deve-se defender uma tese, ou seja: organizar dados, fatos, idéias, enfim, argumentos, em torno de um ponto de vista definido sobre o assunto em questão. Uma dissertação deve, na medida do possível, concluir algo. Portanto, não tem cabimento ficar simplesmente elencando argumentos favoráveis ou contrários a determinada idéia. Só se trazem ao texto argumentos contrários à tese defendida para destruí-los, para anulá-los... e, mesmo isso, quando for pertinente fazê-lo.

1 comentários:

  1. Gostei das explicações e exemplos.
    Fiz uma ótima reciclagem.

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